Queridos Leitores.
Sou a mais nova colaboradora do CineDoc. Os textos anteriores, são muito raivosos e eu acredito que essa maneira de criticar filmes não vai nos levar a nada. Por isso, vim para fazer um contraponto. Pois, os que fazem esse tipo de documentário só vão dar mais risadas com esses textos virulentos e acusatórios e, pior, como hienas descontroladas, vão querer fazer mais filmes assim.
Precisamos ponderar mais antes de sair esbravejando e alertar para o perigo que representam alguns procedimentos. Vamos ao ponto, para discutir de maneira saudável e construtiva. O meu post inaugural é dedicado ao filme "Vida de Artista", do cineasta João Batista de Andrade.
Foi uma experiência muito marcante pra mim e para todos que estavam no Festival de Belo Horizonte, em 2003. Assim que assistimos, eu e meus colegas tivemos um choque e, entre nós, a opinião foi unânime em apontar certo déficit ético do realizador.
O filme todo, sobre a vida de um artista santeiro é chocante e desestabilizador. E tanto o choque quanto a desestabilização que provocam não são positivos, é preciso frisar. Não apontam caminhos, não nos levaram a lugar nenhum. A cena que mais nos estarreceu foi aquela em que o diretor invade o barraco da mãe do protagonista - explicitamente miserável - que clama por ajuda. Ele então, dignamente, oferece água em um recipiente de lata. O princípio pareceu belo, não fosse o tempo considerável que ele perdeu apenas para buscar o melhor enquadramento e mostrar a pobre senhora secando o copo com voracidade assustadora. Ele grava tudo sem parar, para a espetacularização. Não desliga a câmera em nenhum segundo e perde precioso tempo para tentar encontrar seu melhor ângulo. Ouvimos, em tempo real, os grunhidos que enfatizam a sede e, principalmente, o estado de fragilidade da personagem diante de seu algoz documentarista. Momentos angustiantes.
Depois disso, o que acontece? Corta e lá está o João Batista em outro lugar, em busca do seu personagem. O que nos preocupa é o ser humano, entende? Aquela senhora tem uma vida antes e depois do filme. E o que acontece com ela, ninguém sabe, nunca mais tivemos notícias. Sofremos a sede dela, nos angustiamos com sua paupérrima condição de vida e depois seguimos em frente, em busca de novos personagens, novos filmes.
Acho que uma interdição seria benéfica... Não uma interdição mesmo, entende? Mas uma interdição no amor. Para o bem das pessoas. E até mesmo o bem do documentarista que, tudo indica, nem sempre sabe o que é melhor para ele e para os outros. Uma interdição amistosa, propositiva e crítica, em busca da clareza nos porquês dos procedimentos e dos efeitos que eles nos provocam.
Acreditamos que muitos raciocínios confusos sobre documentários, nos últimos anos, foram formados por influência de trabalhos deste diretor. Muitos anos atrás ele já havia nos desestabilizado com filmes como “Migrantes”, “Wilsinho da Galiléia” e muitos outros que simplesmente retrataram uma realidade cruel e foram embora, sem considerar o antes e o depois dessas realidades.
É preciso dizer que este blog não tem nada contra a pessoa do documentarista, porém contra seus métodos de trabalho e seus instintos incontroláveis e primitivos, que se pretendem polêmicos demais para o audiovisual brasileiro. Assinamos aqui um pedido, em nome do povo brasileiro, para que esse senhor pare de fazer filmes assim. Que faça algo mais artístico. Se não for possível, algo mais educativo pelo menos. Ele demonstra que conhece a gramática cinematgráfica. Então, seria bacana que a usasse para o bem das pessoas. De preferência, de quem mais precisa.
Voltemos à cena deste filme que traumatizou muitos espectadores que, como eu são mães, pais e filhos e ainda terão dificuldades para se recuperar do trauma. Eu queria levantar só mais uma questão sobre este trecho de “Vida de Artista” (que não postamos aqui por considerarmos muito forte, pois poderia desestabilizar o blog. Não recomendamos, mas quem tem estômago forte e quiser assistir, basta procurar no vimeo. ) E se essa senhora com sede estivesse sofrendo um ataque cardíaco ou algo que necessitasse de ajuda urgente e os segundos que ele perdeu para filmar fizessem a diferença entre a vida e a morte, o que ele teria feito? A resposta é clara e nem precisa de resposta.
O diretor preferiu mostrar a senhora na cama - devorando um copo de água com barulhos que flertam com o grotesco, clamando por ajuda e chorado sua solidão - ao invés de fazer um retrato poético da sede ou um registro lírico sobre as condições da terceira idade no interior do Brasil.
Mas a noção de pecado é esquecida nos dias atuais. Esses tipo de cineasta só pensa no filme. Deviam pensar mais nas pessoas, ter mais responsabilidade. Mas não, só pensam em captar o melhor plano, em explorar a miséria dos miseráveis.
E afinal, o que foi que aconteceu com essa senhora? Alguém sabe? Ele pode simplesmente filmar e deixa-la lá? A partir do momento em que se filma alguém, uma vez na vida, criamos um pacto eterno e o cineasta deveria ajudá-la para todo sempre.
Principalmente quando se pinta um retrato cruel da realidade.
Acreditamos que o documentarista só pode se eximirda responsabilidade de cuidar de seus personagens para sempre, em apenas algumas excessões - que felizmente estão virando regra: Se fizer um retrato poético que mostre o lado humano e sábio de seus personagens.
Se a tristeza do personagem for avassaladora, é preciso esforço e habilidade para sutiliza-la como bela melancolia. A fotografia e a trilha podem ser ferramentas fundamentais para poetizar e criar novos ângulos, texturas e facetas que possam, de alguma maneira, tridimencionalizar a personagem, gerar uma aproximação - e quem sabe até criar uma identificação, por que não? - entre a poesia do público dos cinemas de arte e a poesia da sabedoria popular.
Mas isso é um conjunto de técnicas cuja orquestração requer habilidades raras, que Deus – infelizmente - não deixou de herança para todos.
Maria Flores Quintal
CineDoc
AVISO IMPORTANTE: O Ministério da Seriedade Crítica ADVERTE: Esse blog não tem o padrão mínimo de seriedade reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Crítica - Setor Audiovisual. Para mais detalhes, acesse http://cinedocs.blogspot.com/p/advertencia-importante.html
Dia Internacional da Mulher - Isto é uma vergonha!
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, não poderíamos deixar de denunciar aqui o infamante filme - "Iracema, uma transa amazônica".
Desde o título, o filme sugere o que poderíamos chamar de abuso cinéfilo-sexual. "Pereio-Tião Brasil Grande", o caminhoneiro explorador sulista, humilha em cena o tempo todo a pobre atriz não profissional Edna de Cássia, filha da terra, que – sem direito à sua verdade - nunca saberemos se é ou não, Na verdade, uma profissional do sexo.
Pouco importa que Pereio ostente sua performance como um papel: ele tem o poder de fazer isso, e justamente por isso, faze-lo é imoral. Poder, mesmo cinematográfico, é responsabilidade.
Pouco importa que Iracema seja um clássico. Se o é, é porque o mundo que o celebrou é também imoral, e deve ser condenado.
E pouco importa, ainda, que a vilania encenada queira se justificar por uma pretensa e auto-atribuída relevância da exposição da situação amazônica, a partir de mal-disfaçadas teses pré-concebidas, tributárias dos grandes relatos esquerdistas, que como sempre se fazem à revelia, e pela descarada manipulação, do homem – e sobretudo da mulher – comum, que aparece no filme como peça de retórica. Retórica que o filme tem o descaramento de metaforizar na relação de exploração sexual da moça pobre e ex-índia, por parte do caminhoneiro-narrador. Como se a explicitação do abuso fosse suficiente para justificá-lo!!
Como a “guerras cirúrgicas” dos Estados Unidos, como o mensalão, como a ironia mercantilista das blagues tropicalistas, como a pornografia na internet, como vários outros filmes analisados neste blog e em muitas outras sérias publicações da crítica cinematográfica - todos estes são exemplos típicos do cinismo contemporâneo – j´accuse! Ou, antes, Jacuzzi! O que esses caras querem é que o mundo se exploda enquanto eles falam frases inteligentes fumando charuto na banheira, acompanhados por pobres moças semi (ou até completamente!) nuas!
Mas, voltando, não basta a descarada manipulação de Edna de Cássia, mulher simples da região, pelas mise-en-scènes dos realizadores, que não se cansam de expô-la – em sua irredutível integridade e em seus jovens e caboclos atributos físicos – ao ridículo, num infinito gozo patriarcal, senhorial e sexual, que Peréio expõe e disfarça mal sob o manto cínico da pretensa exposição de uma abstrata exploração de uma abstrata Amazônia.
Não basta isso. É preciso chegar, na cena de conclusão do filme, à exploração sexual e existencial explícita, montando um circo de horrores à beira da estrada, com um grupo verdadeiro de prostitutas locais. O que faz o Sr. Peréio e seus depravados asseclas pseudo-esquerdistas? Desmontam a farsa montada, denunciam a exploração e se solidarizam com aquelas reais vitimas, mas tão humanas quanto eles, do desvairio capitalista na periferia do mundo? Eles se utilizam do poder do cinema para franquear a elas uma abertura baseada em sua irredutível humanidade, de seus devires e fabulações potencialmente libertadoras? Claro que não. Eles reforçam a farsa grotesta encenada por aquelas pobres mulheres, reduzidas à mais vil forma-mercadoria. Sim, pois mesmo abandonadas no fim do mundo, elas sabem que a chance que têm de se tornarem imagem-para-a-câmera-que-é-o-
mundo e se comportarem, justamente (não uma iamgem justa, mas justamente uma imagem) como tal.
E assim elas se comportam, se vilanizam e degradam ao extremo. E o que fazem nossos machos-cineastas-esquerdistas, antes de voltarem às sua Jacuzzis? Se lambuzam, em peitos e almas decaídas!
Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, este blog não pode deixar de lembrar essa mancha inapagável do cinema brasileiro: Iracema, uma transa amazônica.
É um incrível paradoxo que o regime militar tenha mostrado mais lucidez que os pretensos artistas documentaristas modernistas, e mantido este filme censurado por quase uma década. Mas agora, quando o regime já nao é o das ambigüidades do período militar, mas o regime, único e absoluto, da imagem e do capital, o cinismo tornou-se o pão nosso de cada dia. Antes, ainda que discordando dos militares, podíamos discutir em termos de valores, agora, restou-nos as banheiras imundas de um mundo degradado.
Desde o título, o filme sugere o que poderíamos chamar de abuso cinéfilo-sexual. "Pereio-Tião Brasil Grande", o caminhoneiro explorador sulista, humilha em cena o tempo todo a pobre atriz não profissional Edna de Cássia, filha da terra, que – sem direito à sua verdade - nunca saberemos se é ou não, Na verdade, uma profissional do sexo.
Pouco importa que Pereio ostente sua performance como um papel: ele tem o poder de fazer isso, e justamente por isso, faze-lo é imoral. Poder, mesmo cinematográfico, é responsabilidade.
Pouco importa que Iracema seja um clássico. Se o é, é porque o mundo que o celebrou é também imoral, e deve ser condenado.
E pouco importa, ainda, que a vilania encenada queira se justificar por uma pretensa e auto-atribuída relevância da exposição da situação amazônica, a partir de mal-disfaçadas teses pré-concebidas, tributárias dos grandes relatos esquerdistas, que como sempre se fazem à revelia, e pela descarada manipulação, do homem – e sobretudo da mulher – comum, que aparece no filme como peça de retórica. Retórica que o filme tem o descaramento de metaforizar na relação de exploração sexual da moça pobre e ex-índia, por parte do caminhoneiro-narrador. Como se a explicitação do abuso fosse suficiente para justificá-lo!!
Como a “guerras cirúrgicas” dos Estados Unidos, como o mensalão, como a ironia mercantilista das blagues tropicalistas, como a pornografia na internet, como vários outros filmes analisados neste blog e em muitas outras sérias publicações da crítica cinematográfica - todos estes são exemplos típicos do cinismo contemporâneo – j´accuse! Ou, antes, Jacuzzi! O que esses caras querem é que o mundo se exploda enquanto eles falam frases inteligentes fumando charuto na banheira, acompanhados por pobres moças semi (ou até completamente!) nuas!
Mas, voltando, não basta a descarada manipulação de Edna de Cássia, mulher simples da região, pelas mise-en-scènes dos realizadores, que não se cansam de expô-la – em sua irredutível integridade e em seus jovens e caboclos atributos físicos – ao ridículo, num infinito gozo patriarcal, senhorial e sexual, que Peréio expõe e disfarça mal sob o manto cínico da pretensa exposição de uma abstrata exploração de uma abstrata Amazônia.
Não basta isso. É preciso chegar, na cena de conclusão do filme, à exploração sexual e existencial explícita, montando um circo de horrores à beira da estrada, com um grupo verdadeiro de prostitutas locais. O que faz o Sr. Peréio e seus depravados asseclas pseudo-esquerdistas? Desmontam a farsa montada, denunciam a exploração e se solidarizam com aquelas reais vitimas, mas tão humanas quanto eles, do desvairio capitalista na periferia do mundo? Eles se utilizam do poder do cinema para franquear a elas uma abertura baseada em sua irredutível humanidade, de seus devires e fabulações potencialmente libertadoras? Claro que não. Eles reforçam a farsa grotesta encenada por aquelas pobres mulheres, reduzidas à mais vil forma-mercadoria. Sim, pois mesmo abandonadas no fim do mundo, elas sabem que a chance que têm de se tornarem imagem-para-a-câmera-que-é-o-
mundo e se comportarem, justamente (não uma iamgem justa, mas justamente uma imagem) como tal.
E assim elas se comportam, se vilanizam e degradam ao extremo. E o que fazem nossos machos-cineastas-esquerdistas, antes de voltarem às sua Jacuzzis? Se lambuzam, em peitos e almas decaídas!
Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, este blog não pode deixar de lembrar essa mancha inapagável do cinema brasileiro: Iracema, uma transa amazônica.
É um incrível paradoxo que o regime militar tenha mostrado mais lucidez que os pretensos artistas documentaristas modernistas, e mantido este filme censurado por quase uma década. Mas agora, quando o regime já nao é o das ambigüidades do período militar, mas o regime, único e absoluto, da imagem e do capital, o cinismo tornou-se o pão nosso de cada dia. Antes, ainda que discordando dos militares, podíamos discutir em termos de valores, agora, restou-nos as banheiras imundas de um mundo degradado.
Documentário não é Circo
Mais um exemplo pavoroso de esculhambação é o filme "Alô, Alô Terezinha", de Nelson Hoineff. (2009).
Postamos aqui alguns trechos do genial e esclarecido artigo do analista Cleber Eduardo - publicado originalmente na revista cinética (leia na íntegra em: http://www.revistacinetica.com.br/aloaloteresinha.htm ) em maio de 2009:
(…) Alô, Alô, Terezinha é um estimulante à interdição. Não se está falando em interdições oficiais (de mercado, de censura à realização, de proibição de exibição), mas de uma interdição crítica, que procura deixar claro que, quando nos detemos no cinema, estamos operando essa análise a partir de alguns princípios, que são anteriores à experiência de filmes específicos, mas também são construídos a partir dessas experiências. E esses princípios são tanto de afirmação como de recusa.
(…) Seria compreensível em um programa do Nelson Rubens. Não importa somente, ainda com as chacretes, o currículo sexual. É preciso que elas, claro, exponham suas formas. Algumas delas, as mais solícitas às promessas da câmera-vampira.
(…)Vemos os efeitos do tempo sobre os corpos, menos porque o valor de mercadoria desses corpos seja o mesmo de outros tempos, e mais porque essa falta de valor precisa ser exposta e comparada à de outros tempos. Para quê, exatamente? Em nome do quê? Apenas para se gerar uma imagem patética, que provoca o riso daqueles que, aparentemente, atenderam o pedido feito pelo filme: riam!
(…)Vamos rir da mediocridade dos que um dia tentaram ser celebridades. Não se trata de colocar em questão a fábrica de inseminação dessa demanda, mas de expor ao ridículo e ao escárnio não somente o ridículo deles mesmos mas, sobretudo, de ostentar uma forma de revelar esse ridículo aos nossos olhos por meio de movimentos de câmera e pelos cortes. Perde-se todo o pudor e todos os valores, mas não se perde o efeito da anedota.
(…) Mas um documentário não é um programa de auditório – ou não era. E quem aparece falando e sendo filmado não sabe estar adentrando a uma narrativa cujo objetivo é expor esses participantes a uma situação de constrangimento, seja como constrangedores ou como constrangidos. Alô, Alô, Terezinha não se auto-sacaneia como fazia Chacrinha. Não revela sequer a voz, as perguntas, os caminhos para se chegar aonde se chega. A instância de narração se apaga em cena e se organiza só na montagem, cujas relações entre cortes nos deixa claros os valores da malandragem a governar essa organização visual..
(…) Porque o que se procura, e o que se acha, é o pior do telejornalismo atual. Só o espetáculo do constrangimento. Tudo é somente imagem? Pode-se tudo? Essas pessoas não existem fora dali? Lembremos com relativização a frase de Luc Moullet: “a moral é uma questão de travelling”, e a inversão dela por Godard, “o travelling é uma questão de moral”. Cada operação tem seu objetivo e esse objetivo está em questão, sempre, porque a relação com o cinema está moldada também por seus princípios, não apenas pela competência na execução de suas finalidades. A legitimação crítica de Alô, Alô, Terezinha é sinal grave de uma derrota de certos valores.
Maio de 2009
editoria@revistacinetica.com.br
Postamos aqui alguns trechos do genial e esclarecido artigo do analista Cleber Eduardo - publicado originalmente na revista cinética (leia na íntegra em: http://www.revistacinetica.com.br/aloaloteresinha.htm ) em maio de 2009:
(…) Alô, Alô, Terezinha é um estimulante à interdição. Não se está falando em interdições oficiais (de mercado, de censura à realização, de proibição de exibição), mas de uma interdição crítica, que procura deixar claro que, quando nos detemos no cinema, estamos operando essa análise a partir de alguns princípios, que são anteriores à experiência de filmes específicos, mas também são construídos a partir dessas experiências. E esses princípios são tanto de afirmação como de recusa.
(…) Seria compreensível em um programa do Nelson Rubens. Não importa somente, ainda com as chacretes, o currículo sexual. É preciso que elas, claro, exponham suas formas. Algumas delas, as mais solícitas às promessas da câmera-vampira.
(…)Vemos os efeitos do tempo sobre os corpos, menos porque o valor de mercadoria desses corpos seja o mesmo de outros tempos, e mais porque essa falta de valor precisa ser exposta e comparada à de outros tempos. Para quê, exatamente? Em nome do quê? Apenas para se gerar uma imagem patética, que provoca o riso daqueles que, aparentemente, atenderam o pedido feito pelo filme: riam!
(…)Vamos rir da mediocridade dos que um dia tentaram ser celebridades. Não se trata de colocar em questão a fábrica de inseminação dessa demanda, mas de expor ao ridículo e ao escárnio não somente o ridículo deles mesmos mas, sobretudo, de ostentar uma forma de revelar esse ridículo aos nossos olhos por meio de movimentos de câmera e pelos cortes. Perde-se todo o pudor e todos os valores, mas não se perde o efeito da anedota.
(…) Mas um documentário não é um programa de auditório – ou não era. E quem aparece falando e sendo filmado não sabe estar adentrando a uma narrativa cujo objetivo é expor esses participantes a uma situação de constrangimento, seja como constrangedores ou como constrangidos. Alô, Alô, Terezinha não se auto-sacaneia como fazia Chacrinha. Não revela sequer a voz, as perguntas, os caminhos para se chegar aonde se chega. A instância de narração se apaga em cena e se organiza só na montagem, cujas relações entre cortes nos deixa claros os valores da malandragem a governar essa organização visual..
(…) Porque o que se procura, e o que se acha, é o pior do telejornalismo atual. Só o espetáculo do constrangimento. Tudo é somente imagem? Pode-se tudo? Essas pessoas não existem fora dali? Lembremos com relativização a frase de Luc Moullet: “a moral é uma questão de travelling”, e a inversão dela por Godard, “o travelling é uma questão de moral”. Cada operação tem seu objetivo e esse objetivo está em questão, sempre, porque a relação com o cinema está moldada também por seus princípios, não apenas pela competência na execução de suas finalidades. A legitimação crítica de Alô, Alô, Terezinha é sinal grave de uma derrota de certos valores.
Maio de 2009
editoria@revistacinetica.com.br
Certos passados condenam
O maior ícone do documentário brasileiro contemporâneo e realizador de aceitação quase unânime, Eduardo Coutinho, é um diretor sensível, autor de tantos filmes singelos que mostram a pacata vida de gente pobre, porém digna, como favelados, sertanejos e ex-operários. Porém, o que a nova geração não sabe e alguns não se lembram é que ele já jogou no time dos chamados documentaristas debochados.
Felizmente Coutinho converteu-se ao bom uso da câmera nos últimos tempos, mas o estrago já havia sido feito.
No fim dos anos 70 ele concebeu o média-metragem "Teodorico, o Imperador do Sertão", em que chacoteia seu objeto (o Teodorico do título) mostrando-o como um "coronel" implacável do sertão nordestino. Como se absteve da utilização de recursos clássicos da cinematografia documental, como apresentador ou locução com narrador, o documentarista finge imparcialidade. Porém, esse é um truque bastante fácil de se identificar e é nítida a sua posição de esculhambar o protagonista do filme.
O personagem, um fazendeiro ansião e bem intencionado, foi retratado como um prepotente explorador das pessoas mais pobres. Os trechos escolhidos pelo documentarista na ilha de edição revelam a construção de um perfil crítico que na maioria das vezes ridiculariza a maneira com que o entrevistado fala das idiossincrasias locais.
Não só a escolha das falas mas a manipulação na edição dos cortes também vão no mesmo caminho, como no trecho (mais ou menos no meio do filme) em que Teodorico revela que dá assistência médica aos trabalhadores de sua fazenda, enquanto a câmera maliciosa percorre, em planos fechados, pés inchados e sujos - como se o documentarista quisesse desmentir o entrevistado. O filme é repleto de manipulações desse tipo - algumas mais explícitas, outras mais sutis - evidenciando sua escolha por satirizar o objeto retratado. O mais admirável é que este filme foi ao ar em rede nacional como uma edição do Globo Repórter!
Felizmente, de lá pra cá a TV Globo reformulou seu quadro de diretores e sua linha editorial tornou-se definitivamente sobria e idônea. As atuais edições do semanário prezam pelo padrão globo de qualidade e pela imparcialidade nos documentários sobre a natureza selvagem e outros temas de relevância e utilidade pública. E felizmente Eduardo Coutinho se converteu ao bom documentário de fina estéica.
Porém, a exemplo dos artistas ex-drogados que encontraram refúgio nas religiões mas têm suas recaídas no meio do percurso, Eduardo Coutinho também recaiu em alguns de seus filmes recentes como "Edificio Master" e "Jogo de Cena". (em que coloca pessoas em situações constrangedoras ou ludibria o espectador na composição da realidade)
No entanto, é importante sermos compreensivos, pois é evidente que foram apenas deslizes pequenos e que ele está tentando se recompor, se esforçando por reconstruir sua obra com retidão e poesia de estética correta. Mas é preciso apontar que seu passado produziu estragos na cultura nacional ao influenciar outros diretores mal intencionados. O legado ficou e deixou marcas. E, como um vício ou epidemia, contagiou uma legião de irresponsáveis que se consideram documentaristas.
Felizmente Coutinho converteu-se ao bom uso da câmera nos últimos tempos, mas o estrago já havia sido feito.
No fim dos anos 70 ele concebeu o média-metragem "Teodorico, o Imperador do Sertão", em que chacoteia seu objeto (o Teodorico do título) mostrando-o como um "coronel" implacável do sertão nordestino. Como se absteve da utilização de recursos clássicos da cinematografia documental, como apresentador ou locução com narrador, o documentarista finge imparcialidade. Porém, esse é um truque bastante fácil de se identificar e é nítida a sua posição de esculhambar o protagonista do filme.
O personagem, um fazendeiro ansião e bem intencionado, foi retratado como um prepotente explorador das pessoas mais pobres. Os trechos escolhidos pelo documentarista na ilha de edição revelam a construção de um perfil crítico que na maioria das vezes ridiculariza a maneira com que o entrevistado fala das idiossincrasias locais.
Não só a escolha das falas mas a manipulação na edição dos cortes também vão no mesmo caminho, como no trecho (mais ou menos no meio do filme) em que Teodorico revela que dá assistência médica aos trabalhadores de sua fazenda, enquanto a câmera maliciosa percorre, em planos fechados, pés inchados e sujos - como se o documentarista quisesse desmentir o entrevistado. O filme é repleto de manipulações desse tipo - algumas mais explícitas, outras mais sutis - evidenciando sua escolha por satirizar o objeto retratado. O mais admirável é que este filme foi ao ar em rede nacional como uma edição do Globo Repórter!
Felizmente, de lá pra cá a TV Globo reformulou seu quadro de diretores e sua linha editorial tornou-se definitivamente sobria e idônea. As atuais edições do semanário prezam pelo padrão globo de qualidade e pela imparcialidade nos documentários sobre a natureza selvagem e outros temas de relevância e utilidade pública. E felizmente Eduardo Coutinho se converteu ao bom documentário de fina estéica.
Porém, a exemplo dos artistas ex-drogados que encontraram refúgio nas religiões mas têm suas recaídas no meio do percurso, Eduardo Coutinho também recaiu em alguns de seus filmes recentes como "Edificio Master" e "Jogo de Cena". (em que coloca pessoas em situações constrangedoras ou ludibria o espectador na composição da realidade)
No entanto, é importante sermos compreensivos, pois é evidente que foram apenas deslizes pequenos e que ele está tentando se recompor, se esforçando por reconstruir sua obra com retidão e poesia de estética correta. Mas é preciso apontar que seu passado produziu estragos na cultura nacional ao influenciar outros diretores mal intencionados. O legado ficou e deixou marcas. E, como um vício ou epidemia, contagiou uma legião de irresponsáveis que se consideram documentaristas.
Palhaçadas de Mau-Gosto
Mais um exemplo de mau gosto é misturar trilhas lúdicas, cenários coloridos, um clown suburbano e indefeso com o trágico universo da violência brasileira.
A violência e insegurança nacionais são temas que devem sempre serem tratados de maneira sóbria, acompanhados de uma crítica clara e didática, que informe quem é bandido e quem é do bem, quais as diferenças entre os tipos de violações do código penal e quais as conseqüências de um comportamento desrespeitoso. A maneira como o documentarista tratou do tema confunde o espectador, que a certa altura do filme não sabe mais o que é sério e o que é brincadeira, o que é representação e o que é realidade.
Desta maneira, o filme não aponta soluções! E ainda por cima pretende misturar duas características brasileiras antagônicas: a alegria carnavalesca e a aptidão para a violência. Não se pode misturar duas coisas como essas e confundir o público impunemente. Melhor que qualquer explicação e certamente melhor que assistir ao referido filme, é ler o artigo do famoso analista de cinemas mineiro, César Guimarães, que de maneira perspicaz e rara erudição, coloca os pingos nos ís sobre este chamado documentário humorístico:
"Nenhuma maravilha habita esse mundo retratado por Newton Cannito, apenas o horror, aquele que não se suporta, e que aparece, forçadamente, travestido de brincadeira.
Por obra de uma estratégia astuciosa (que se quer inteiramente esclarecida quanto ao uso de procedimentos reflexivos tanto no momento do encontro filmado quanto no manejo da ilha de edição), em Jesus no mundo maravilha somos confrontados a um filme cuja crueldade, calculada, faz do jogo do sentido um verdadeiro tormento, com balizas estrategicamente dispostas. Com a liberdade do seu julgamento crítico e a potência dos seus afetos, o espectador deve se preparar para o pior."
Este Blog declara-se entusiasta deste apurado artigo (disponível em: http://www.doc.ubi.pt/07/dossier_cesar_guimaraes.pdf) e de outros pensadores como este, que dedicam-se ao estudo da consciência e subjetividade dos realizadores de documentários, sejam eles do bem ou do mal. Disponibilizamos abaixo um trecho deste filme pavoroso, de tirar o sono dos que prezam pela paz.
A violência e insegurança nacionais são temas que devem sempre serem tratados de maneira sóbria, acompanhados de uma crítica clara e didática, que informe quem é bandido e quem é do bem, quais as diferenças entre os tipos de violações do código penal e quais as conseqüências de um comportamento desrespeitoso. A maneira como o documentarista tratou do tema confunde o espectador, que a certa altura do filme não sabe mais o que é sério e o que é brincadeira, o que é representação e o que é realidade.
Desta maneira, o filme não aponta soluções! E ainda por cima pretende misturar duas características brasileiras antagônicas: a alegria carnavalesca e a aptidão para a violência. Não se pode misturar duas coisas como essas e confundir o público impunemente. Melhor que qualquer explicação e certamente melhor que assistir ao referido filme, é ler o artigo do famoso analista de cinemas mineiro, César Guimarães, que de maneira perspicaz e rara erudição, coloca os pingos nos ís sobre este chamado documentário humorístico:
"Nenhuma maravilha habita esse mundo retratado por Newton Cannito, apenas o horror, aquele que não se suporta, e que aparece, forçadamente, travestido de brincadeira.
Por obra de uma estratégia astuciosa (que se quer inteiramente esclarecida quanto ao uso de procedimentos reflexivos tanto no momento do encontro filmado quanto no manejo da ilha de edição), em Jesus no mundo maravilha somos confrontados a um filme cuja crueldade, calculada, faz do jogo do sentido um verdadeiro tormento, com balizas estrategicamente dispostas. Com a liberdade do seu julgamento crítico e a potência dos seus afetos, o espectador deve se preparar para o pior."
Este Blog declara-se entusiasta deste apurado artigo (disponível em: http://www.doc.ubi.pt/07/dossier_cesar_guimaraes.pdf) e de outros pensadores como este, que dedicam-se ao estudo da consciência e subjetividade dos realizadores de documentários, sejam eles do bem ou do mal. Disponibilizamos abaixo um trecho deste filme pavoroso, de tirar o sono dos que prezam pela paz.
Impedir antes que seja tarde
Na luta para que se impeça a produção deste tipo de filme desrespeitoso e a realização desta Mostra de documentários, o Blog CineDoc encontrou mais um exemplo estarrecedor de documentário que se intitula humorístico. Desta vez o filme é inteiro dedicado a deturpar a imagem de uma pessoa, no caso o ancião ator Paulo César Peréio, que em sua ingenuidade foi envolvido pelo diretor e permitindo que sua imagem fosse degradada. O filme, que graças a Deus ainda não foi lançado nos cinemas - e se depender deste blog e de seus leitores, não será - é uma esculhambação que começa pelo título "Peréio eu te Odeio" e segue a cartilha de desrespeito dos chamados documentaristas de humor, ridicularizando seu objeto-personagem. As imagens deste trailler, linkado aqui no blog, são chocantes e mostram o poder corrosivo que tem certas mentes sujas com uma câmera na mão. É preciso impedir o lançamento de filmes como estes!
Incentivo ao crime
Pior ainda é na TV
O chamado documentário humorístico não é apenas um problema cinematográfico. Muito pior, aliás, quando se aplica estes procedimentos tendo a televisão - mídia de massa, consumida por milhões de pessoas, muitas delas sem instrução e discernimento - como objetivo.
Dois pioneiros, neste estilo de deturpação da realidade para a televisão, foram Marcelo Tas e Fernando Meirelles, que nos anos 80 tentavam fazer graça às custas de pessoas reais nas reportagens do personagem Ernesto Varella, um ridículo repórter que acuava seus entrevistados com o intuito de torna-los sua imagem e semelhança, ou seja também ridículos.
Marcelo Tas (na pele do repórter Ernesto Varella) e Fernando Meirelles (como o cinegrafista Valdeci) viajavam Brasil afora para fazer chacotas com as pessoas, não apenas com perguntas absurdas como com o mal uso da manipulação da edição. Neste exemplo postado aqui, é nítida a postura desapropriada com que o repórter tenta ridicularizar um importante dirigente do futebol brasileiro que estava em missão desportiva na Copa do Mundo de 1982, realizada no México. Nabi Chedid, um homem digno a serviço do país, foi provocado até o limite de sua paciência pelos realizadores desta reportagem humorística.
Muita gente sabe quais as conseqüências de não se ter barrado ou cerceado esse tipo de reportagem (ou documentário televisivo) na época. Hoje, o mesmo Marcelo Tas, já idoso em sua terceira idade e totalmente calvo, emplacou um programa que aplica os mesmos procedimentos nocivos em horário nobre na TV Bandeirantes (no semanal CQC) acuando celebridades, políticos e pessoas do povo, que são ridicularizadas no mesmo estilo praticado a 25 anos atrás. Lutou-se pela liberdade de expressão, mas graças a realizadores como estes, é fácil perceber o quão perigosa pode ser a liberdade sem limites.
Dois pioneiros, neste estilo de deturpação da realidade para a televisão, foram Marcelo Tas e Fernando Meirelles, que nos anos 80 tentavam fazer graça às custas de pessoas reais nas reportagens do personagem Ernesto Varella, um ridículo repórter que acuava seus entrevistados com o intuito de torna-los sua imagem e semelhança, ou seja também ridículos.
Marcelo Tas (na pele do repórter Ernesto Varella) e Fernando Meirelles (como o cinegrafista Valdeci) viajavam Brasil afora para fazer chacotas com as pessoas, não apenas com perguntas absurdas como com o mal uso da manipulação da edição. Neste exemplo postado aqui, é nítida a postura desapropriada com que o repórter tenta ridicularizar um importante dirigente do futebol brasileiro que estava em missão desportiva na Copa do Mundo de 1982, realizada no México. Nabi Chedid, um homem digno a serviço do país, foi provocado até o limite de sua paciência pelos realizadores desta reportagem humorística.
Muita gente sabe quais as conseqüências de não se ter barrado ou cerceado esse tipo de reportagem (ou documentário televisivo) na época. Hoje, o mesmo Marcelo Tas, já idoso em sua terceira idade e totalmente calvo, emplacou um programa que aplica os mesmos procedimentos nocivos em horário nobre na TV Bandeirantes (no semanal CQC) acuando celebridades, políticos e pessoas do povo, que são ridicularizadas no mesmo estilo praticado a 25 anos atrás. Lutou-se pela liberdade de expressão, mas graças a realizadores como estes, é fácil perceber o quão perigosa pode ser a liberdade sem limites.
Uma câmera na mão e idéias sórdidas na cabeça
Mas frase se volta para a sua própria fonte, cheia de dúvidas. Que idéias são essas nas cabeças de nossos cineastas? Qualquer idéia vale? Sobre qualquer um? Qualquer idéia má intencionada e de mau-gosto vale?
Glauber Rocha era muito bom em longa-metragens ficcionais, a exemplo do bang-bang "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e do poético "Terra em Transe", mas quando se aventurou no cinema documentário mostrou-se um exemplo de cineasta anti-ético que influenciou negativamente documentaristas contemporâneos. Filmou o documentário político "Maranhão 66" em que dá voz a um dos maiores facínoras da política brasileira (José Sarney) e em "DI", cujo link está neste blog, abriu precedentes terríveis ao que estão chamando de documentário humorístico.
Como pode fazer graça com a morte de alguém? Como pode essa colagem de locuções desvairadas, que mimetizam uma narração de um jogo de futebol para descrever o making of da filmagem do enterro de um dos maiores artistas brasileiros? Glauber Rocha foi irreverente quando não poderia ser. Colocou sobre as imagens solenes do enterro do pintor Di Cavalcanti, uma música alegre de Jorge Ben Jor, nitidamente fazendo graça e produzindo relações duvidosas entre morte e carnaval, ao colocar em outro trecho, marchinhas carnavalescas sobre imagens do enterro de Cavalcanti.
Este tipo de comportamento com uma câmera na mão fez escola e estimulou uma série de documentaristas ao expressarem seu HUMOR duvidoso usando como matéria-prima eventos reais que não deveriam ser vistos sem a sobriedade necessária. No caso de "Di" este documentário humorístico seminal, Rocha ainda fez graça com um morto que não pode se defender da sua ácida comicidade.
É preciso que se estanque essa corrente de documentaristas que querem transformar esse gênero em um palco de aberrações supostamente cômicas.
ENGOLE ESSE RISO!!!
Estão querendo realizar uma Mostra de Documentários Humorísticos. O que seria isso? Como podem promover, dentro da tão bem conceituada e pouco consumida cultura documental, um sub-gênero que quer fazer graça com a realidade?!É preciso fazer um alerta pois esse tipo de filme pode, eventualmente, atingir públicos mais populares, que não estão acostumados a assistir a documentários e que não tem noção do perigo que é isso.
Esses supostos documentaristas se utilizam de pessoas reais para fazer graça. As pessoas são reais, dentro delas existem almas que não podem ser maculadas pelo escárnio de alguns que as subjulgam! Certamente esses pseudo-documentaristas - que se beneficiaram do barateamento no equipamento de filmagem, usam a câmera digital como se fosse uma arma de ridicularização alheia.
As pessoas retratadas, infelizmente em sua maioria, não tem capacidade para avaliar o grau de ridículo que resultarão suas imagens na tela. Por isso, é preciso criar uma entidade que defenda a seriedade dos documentários, que instalem fiscalizadores em ilhas de edição e que oriente a população a não dar entrevista para cineastas que não sejam idôneos. É como não dar esmolas nas ruas. É preciso uma política de educação e esclarecimento. Se não isso vira uma bagunça!
Essas pessoas, coitadas, se submetem a esses documentaristas por querer aparecer e fazer performances, pelo gozo de serem vistas, mas não percebem que na verdade estão sendo risíveis, estão mostrando uma intimidade que não pode ser pública! Não pode porque tem estética agressiva e sobretudo porque é de mau-gosto.
É preciso acabar com essa liberdade documentarista de se colocar acima das pessoas e fazer graça com a realidade, deixando que pessoas cantem com voz desafinada, que falem coisas impensadas e dancem ou até mesmo - sem um físico adequado - se dispam frente as cameras! Daqui a pouco não haverá mais limites para a exposição humana.
É preciso formular critérios. Não se pode deixar que peguem a camera e saiam por aí filmando qualquer coisa. É preciso banir esse tipo de filme e se possível proibir qualquer atividade cultural a quem os realiza, pois definitivamente não são artistas, com A maiúsculo nem minusculo.
A realidade é algo muito sério, muita gente só vive a base de anti-depressivos e tem quem até se suicide por aí. Não é possível que essa gente insista em fazer graça de qualquer coisa.
Uma coisa é fazer ficção, outra é fazer documentário. Uma coisa é expor uma versão, outra é dizer A Verdade. Uma coisa é rir outra é chorar. São principios elementares que não podem ser corrompidos.
E agora chegaram ao cúmulo de promover uma Mostra só com filmes assim, de muito mau-gosto.
Além da criação de uma entidade que fiscalize a realização desses filmes, propomos como medida mais urgente, um abaixo-assinado para que se proíba a realização desta Mostra "RisaDoc" em março, bem como a do debate que será realizado no "É Tudo Verdade" em abril. Vamos fazer uma comunidade do Facebook e Orkut, "a realidade não é brincadeira". Pois essa é a mais pura verdade.
Assinar:
Postagens (Atom)









