Mas frase se volta para a sua própria fonte, cheia de dúvidas. Que idéias são essas nas cabeças de nossos cineastas? Qualquer idéia vale? Sobre qualquer um? Qualquer idéia má intencionada e de mau-gosto vale?
Glauber Rocha era muito bom em longa-metragens ficcionais, a exemplo do bang-bang "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e do poético "Terra em Transe", mas quando se aventurou no cinema documentário mostrou-se um exemplo de cineasta anti-ético que influenciou negativamente documentaristas contemporâneos. Filmou o documentário político "Maranhão 66" em que dá voz a um dos maiores facínoras da política brasileira (José Sarney) e em "DI", cujo link está neste blog, abriu precedentes terríveis ao que estão chamando de documentário humorístico.
Como pode fazer graça com a morte de alguém? Como pode essa colagem de locuções desvairadas, que mimetizam uma narração de um jogo de futebol para descrever o making of da filmagem do enterro de um dos maiores artistas brasileiros? Glauber Rocha foi irreverente quando não poderia ser. Colocou sobre as imagens solenes do enterro do pintor Di Cavalcanti, uma música alegre de Jorge Ben Jor, nitidamente fazendo graça e produzindo relações duvidosas entre morte e carnaval, ao colocar em outro trecho, marchinhas carnavalescas sobre imagens do enterro de Cavalcanti.
Este tipo de comportamento com uma câmera na mão fez escola e estimulou uma série de documentaristas ao expressarem seu HUMOR duvidoso usando como matéria-prima eventos reais que não deveriam ser vistos sem a sobriedade necessária. No caso de "Di" este documentário humorístico seminal, Rocha ainda fez graça com um morto que não pode se defender da sua ácida comicidade.
É preciso que se estanque essa corrente de documentaristas que querem transformar esse gênero em um palco de aberrações supostamente cômicas.


Lendo algumas coisas do seu blog e vendo sua necessidade de separar as coisas, o que é engraçado é engraçado, o que é nefasto é nefasto, gostaria de te fazer uma pergunta: O que você acha de Dr. Fantástico, de 1964 ?
ResponderExcluirJá agradeço pela resposta.
Doutor Fantástico é uma farsa inofensiva do Kubrick. Encenou eventos hipotéticos em tom farsesco. Manteve a comicidade a uma distancia regulamentar da realidade. A farsa fictícia tem o aval dos críticos e pode até trazer benefícios. Ainda mais sendo o Kubrick quem é. Como diria Machado de Assis: "Ele está morto. Podem elogia-lo!". Se Kubrick fizesse documentários seria questionado por estimular a esquizofrenia e o alcoolismo do Peter Sellers...
ResponderExcluirAbraços cordiais - e seriedade acima de tudo! Vamos levar a vida a sério, porque a vida é séria e nada mais importa nessa vida.
Grato pelo comentário