O maior ícone do documentário brasileiro contemporâneo e realizador de aceitação quase unânime, Eduardo Coutinho, é um diretor sensível, autor de tantos filmes singelos que mostram a pacata vida de gente pobre, porém digna, como favelados, sertanejos e ex-operários. Porém, o que a nova geração não sabe e alguns não se lembram é que ele já jogou no time dos chamados documentaristas debochados.
Felizmente Coutinho converteu-se ao bom uso da câmera nos últimos tempos, mas o estrago já havia sido feito.
No fim dos anos 70 ele concebeu o média-metragem "Teodorico, o Imperador do Sertão", em que chacoteia seu objeto (o Teodorico do título) mostrando-o como um "coronel" implacável do sertão nordestino. Como se absteve da utilização de recursos clássicos da cinematografia documental, como apresentador ou locução com narrador, o documentarista finge imparcialidade. Porém, esse é um truque bastante fácil de se identificar e é nítida a sua posição de esculhambar o protagonista do filme.
O personagem, um fazendeiro ansião e bem intencionado, foi retratado como um prepotente explorador das pessoas mais pobres. Os trechos escolhidos pelo documentarista na ilha de edição revelam a construção de um perfil crítico que na maioria das vezes ridiculariza a maneira com que o entrevistado fala das idiossincrasias locais.
Não só a escolha das falas mas a manipulação na edição dos cortes também vão no mesmo caminho, como no trecho (mais ou menos no meio do filme) em que Teodorico revela que dá assistência médica aos trabalhadores de sua fazenda, enquanto a câmera maliciosa percorre, em planos fechados, pés inchados e sujos - como se o documentarista quisesse desmentir o entrevistado. O filme é repleto de manipulações desse tipo - algumas mais explícitas, outras mais sutis - evidenciando sua escolha por satirizar o objeto retratado. O mais admirável é que este filme foi ao ar em rede nacional como uma edição do Globo Repórter!
Felizmente, de lá pra cá a TV Globo reformulou seu quadro de diretores e sua linha editorial tornou-se definitivamente sobria e idônea. As atuais edições do semanário prezam pelo padrão globo de qualidade e pela imparcialidade nos documentários sobre a natureza selvagem e outros temas de relevância e utilidade pública. E felizmente Eduardo Coutinho se converteu ao bom documentário de fina estéica.
Porém, a exemplo dos artistas ex-drogados que encontraram refúgio nas religiões mas têm suas recaídas no meio do percurso, Eduardo Coutinho também recaiu em alguns de seus filmes recentes como "Edificio Master" e "Jogo de Cena". (em que coloca pessoas em situações constrangedoras ou ludibria o espectador na composição da realidade)
No entanto, é importante sermos compreensivos, pois é evidente que foram apenas deslizes pequenos e que ele está tentando se recompor, se esforçando por reconstruir sua obra com retidão e poesia de estética correta. Mas é preciso apontar que seu passado produziu estragos na cultura nacional ao influenciar outros diretores mal intencionados. O legado ficou e deixou marcas. E, como um vício ou epidemia, contagiou uma legião de irresponsáveis que se consideram documentaristas.


Vamos, confessem: este blog inteiro é uma piada!
ResponderExcluirNós, do CineDoc, apoiamos a tortura como método de confissão. Estamos preparados para o que der e vier. Seriedade acima de tudo!
ResponderExcluirNunca vi um blog tão ridículo quanto esse. Percebia tempo que o conteúdo do blog é fazer piada desmitificando de maneira esculachado alguns diretores e docs importantes!.
ResponderExcluirmas, nunca mais volto aqui que eu não vou perde meu tempo lendo mer....!