Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, não poderíamos deixar de denunciar aqui o infamante filme - "Iracema, uma transa amazônica".
Desde o título, o filme sugere o que poderíamos chamar de abuso cinéfilo-sexual. "Pereio-Tião Brasil Grande", o caminhoneiro explorador sulista, humilha em cena o tempo todo a pobre atriz não profissional Edna de Cássia, filha da terra, que – sem direito à sua verdade - nunca saberemos se é ou não, Na verdade, uma profissional do sexo.
Pouco importa que Pereio ostente sua performance como um papel: ele tem o poder de fazer isso, e justamente por isso, faze-lo é imoral. Poder, mesmo cinematográfico, é responsabilidade.
Pouco importa que Iracema seja um clássico. Se o é, é porque o mundo que o celebrou é também imoral, e deve ser condenado.
E pouco importa, ainda, que a vilania encenada queira se justificar por uma pretensa e auto-atribuída relevância da exposição da situação amazônica, a partir de mal-disfaçadas teses pré-concebidas, tributárias dos grandes relatos esquerdistas, que como sempre se fazem à revelia, e pela descarada manipulação, do homem – e sobretudo da mulher – comum, que aparece no filme como peça de retórica. Retórica que o filme tem o descaramento de metaforizar na relação de exploração sexual da moça pobre e ex-índia, por parte do caminhoneiro-narrador. Como se a explicitação do abuso fosse suficiente para justificá-lo!!
Como a “guerras cirúrgicas” dos Estados Unidos, como o mensalão, como a ironia mercantilista das blagues tropicalistas, como a pornografia na internet, como vários outros filmes analisados neste blog e em muitas outras sérias publicações da crítica cinematográfica - todos estes são exemplos típicos do cinismo contemporâneo – j´accuse! Ou, antes, Jacuzzi! O que esses caras querem é que o mundo se exploda enquanto eles falam frases inteligentes fumando charuto na banheira, acompanhados por pobres moças semi (ou até completamente!) nuas!
Mas, voltando, não basta a descarada manipulação de Edna de Cássia, mulher simples da região, pelas mise-en-scènes dos realizadores, que não se cansam de expô-la – em sua irredutível integridade e em seus jovens e caboclos atributos físicos – ao ridículo, num infinito gozo patriarcal, senhorial e sexual, que Peréio expõe e disfarça mal sob o manto cínico da pretensa exposição de uma abstrata exploração de uma abstrata Amazônia.
Não basta isso. É preciso chegar, na cena de conclusão do filme, à exploração sexual e existencial explícita, montando um circo de horrores à beira da estrada, com um grupo verdadeiro de prostitutas locais. O que faz o Sr. Peréio e seus depravados asseclas pseudo-esquerdistas? Desmontam a farsa montada, denunciam a exploração e se solidarizam com aquelas reais vitimas, mas tão humanas quanto eles, do desvairio capitalista na periferia do mundo? Eles se utilizam do poder do cinema para franquear a elas uma abertura baseada em sua irredutível humanidade, de seus devires e fabulações potencialmente libertadoras? Claro que não. Eles reforçam a farsa grotesta encenada por aquelas pobres mulheres, reduzidas à mais vil forma-mercadoria. Sim, pois mesmo abandonadas no fim do mundo, elas sabem que a chance que têm de se tornarem imagem-para-a-câmera-que-é-o-
mundo e se comportarem, justamente (não uma iamgem justa, mas justamente uma imagem) como tal.
E assim elas se comportam, se vilanizam e degradam ao extremo. E o que fazem nossos machos-cineastas-esquerdistas, antes de voltarem às sua Jacuzzis? Se lambuzam, em peitos e almas decaídas!
Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, este blog não pode deixar de lembrar essa mancha inapagável do cinema brasileiro: Iracema, uma transa amazônica.
É um incrível paradoxo que o regime militar tenha mostrado mais lucidez que os pretensos artistas documentaristas modernistas, e mantido este filme censurado por quase uma década. Mas agora, quando o regime já nao é o das ambigüidades do período militar, mas o regime, único e absoluto, da imagem e do capital, o cinismo tornou-se o pão nosso de cada dia. Antes, ainda que discordando dos militares, podíamos discutir em termos de valores, agora, restou-nos as banheiras imundas de um mundo degradado.

A mulher simples, retratada de maneira burlesca pelos progressitas irresponsáveis, não foge da realidade brasileira:O Irã é aqui, as mulheres ainda são apedrejadas no Brasil.
ResponderExcluirSó para citar algumas vítimas dessa violência à mulher:
- Dorothy Stang
- Maria da Penha
- Suzana Gomide
- Geisy Arruda
- Entre Outras
É inaceitável fazer apologia às pedradas da Sakineh.
Cara, você nem mesmo assina as besteiras que escreve, não há nem mesmo um e-mail disponível... como é que alguém pode retrucar a sua campanha em prol de uma imbecil higienização de um gênero através de censura (porque é EXATAMENTE isso que você propõe)... pelo menos dê a cara pra bater!
ResponderExcluirEstimados comentaristas
ResponderExcluirSomos pacifistas e moramos em Higienópolis. Não colocamos a cara para bater pois isso pode ser desastroso, conforme nos foi recomendado por um consultor - gestor de crises de pessoas conceituadas como Ronaldo e Daniel Dantas.
Para isso, foram criadas as empresas de segurança privada e principalmente a patrulha dos estetas assépticos - que tem como nobre missão limpar os duvidosos métodos da realização documental. Nosso mundo é limpo e sem espaço para estéticas grosseiras ou grotescas, como as dos circos populares.
Seguimos o padrão globo de qualidade, o estadão de jornalismo e o veja de entretenimento. E pretendemos um debate limpo e pacífico acima de tudo. Pois o que é sujeira deve ser tratado nos porões e a luz do dia é o espaço da alegria. Digo, da Harmonia. Temos que harmonizar, sempre. Porém sem nunca perder a seriedade. Jamais.
Muito grato pelos comentários e contribuições para com este profícuo debate antidemocrático.
Um cordial e sério abraço, de frente.
Cannito, vc é só um babaca tentando promover os próprios filmes. Sim, eles são desprezíveis para algumas pessoas e elas podem realmente ter razão nisso. Deal with it. E pare de confundir teu comportamento de hiena com humor.
ResponderExcluirNem meu vaso cabe tanta merda.
ResponderExcluir"Seguimos o padrão globo de qualidade, o estadão de jornalismo e o veja de entretenimento."
ResponderExcluirÉ sério isso?!
Prezado Chico.
ResponderExcluirCertamente seguimos o padrão Veja de Entretenimento! Basta ler os textos políticos desta tradicional publicação e verás o quão inspiradores são e como eles interseccionam com a nossa ideologia higienista. Mas o problema é justamente o termo "sério". Há outras maneiras de ler a Veja, o Fantástico e os mais radicais editoriais do Estadão - Humor e Entretenimento.
Prezado Misantropo.
ResponderExcluirAgradecemos o seu iluminador comentário que sucita um debate muito interessante. Acreditamos que ainda há muito espaço para a merda no mundo. Tem que haver, pois a produção aumenta vertiginosamente. Seu vaso só acomoda um tipo. Mas há muitos outros. Isso porque a merda se acomoda conforme o perfume. A melancolia é um perfume para acomoda-la. O escracho é outro bem diferente. Há muitos outros. Cada um utiliza os seus recursos. O importante é dar um destino à pobre coitada. Um perfume, pra poder acomoda-la. Lembre-se dessa enorme variedade quando estiver dando descarga. Ela pode não estar indo embora. Grande abraço e mais uma vez grato pelo comentário.
Prezado Youare An
ResponderExcluirAqui quem fala não é o Cannito. (já explicamos tudo isso lá no "Justificartório")
Mas mesmo assim agradeço muito o seu comentário e fico feliz que uses este espaço para desabafar suas raivas e rancores. É importante que este espaço também sirva para isso. Acho bacana esse seu anonimato, é mais fácil entrar no personagem assim. Também usamos esse recurso mas tivemos que explicitar nossa identidade a pedidos. Grande Abraço e - Viva a liberdade de expressão, acima de tudo!.
Ola Youare An
ResponderExcluirAgora sou eu mesmo, o Cannito. Admito que seu comentario me fez pensar, coisas que quero levar ao analista e compartilho contigo. Afinal, porque estamos aqui, eu escrevendo, voce me xingando?Qual nosso interesse nessa briguinha?Dizer que quero promover os filmes é verdade. Mas é pouco para explicar. Tem formas melhor de promover sem deixar aparecer o odio de pessoas como ti.Acho que realmente gosto de dar uma provocada em fascistas.Jà fiz isso nos meus filmes, zombando de policiais, do Erasmo Dias, e outros.E agora eu e o Benaim estamos fazendo isso aqui nesse blog, zombando de uma critica catolica moralista.Tem hora que acho que preciso mesmo parar com isso, cansa ficar provocando gente anti-democratica. Acho que voce também deveria pensar porque surgiu tanto odio em seu coração. Abraço e melhoras para todos nós.